segunda-feira, 28 de maio de 2012

Entrevista ao Allocine legendada



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Entrevista OTR para o Screenslam - completa









Mais entrevistas em Cannes





Scans de Garrett Hedlund para revista portuguesa




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Crítica traduzida do jornal Le Monde

Confira crítica traduzida pelo facebook oficial do filme


Walter Salles está acostumado com filmes de viagem, mas nunca tinha se aventurado tão longe do seu Brasil natal. | RICHARD DUMAS/VU POUR "LE MONDE"


“Na Estrada”, o filme, existe há décadas. Não somente como projetos de adaptação abortados, que ocupam as gavetas de Francis Ford Coppola, Gus Van Sant ou Joel Schumacher, mas no imaginário de centenas de milhares de leitores do livro de Jack Kerouac, publicado em 1956.


As tribulações transcontinentais de Sal Paradise e Dean Moriarty são a matriz de aventuras americanas vividas ou sonhadas por gerações de jovens que, um dia, quiseram partir longe. O princípio é sempre o mesmo: atravessar os Estados Unidos seguindo as fitas de asfalto, na esperança de descobrir o mundo, os outros, si mesmo.

Este sonho gerou um amontoamento de imagens, músicas, palavras, que formou uma camada tão espessa que nem sempre é possível perceber o que existia à base. “Na Estrada”, o filme de Walter Salles apresentado em competição em Cannes no dia em que entra em cartaz, nesta quarta-feira 23 de maio, tira a pátina para desvendar novamente as cores vivas, as emoções agudas, e a descoberta estonteante de uma forma de viver que implodiu – pelo menos, por um tempo – a American way of life.

A empreitada era arriscada. Não é coincidência se já se passou mais de meio século entre a publicação do romance e o início da construção do filme. Para fazê-lo, Walter Salles observou uma disciplina monacal. Precisou saber tudo do livro, que se tornou texto sagrado, do homem que o escreveu, das pessoas que serviram de modelo para os personagens, mobilizar os meios permitindo dar uma realidade material a paisagens desaparecidas. Depois, precisou apagar o conhecimento acumulado, a abundância de meios, para apenas mostrar a vida incerta, violenta e sensual de Sal Paradise e de seus amigos.


“Na Estrada” abre com uma viagem na traseira de uma picape. Andarilhos (hobos, em inglês americano), que acabaram de atravessar os anos da Depressão e da guerra dão lugar a um rapaz que não se parece com eles. Sal Paradise (Sam Riley) é o álter ego de Jack Kerouac, filho de operário originário do Québec nascido em 1922 que, de 1947 a 1950, atravessou várias vezes os Estados Unidos acompanhado de Neal Cassady (Dean Moriarty no romance).


O roteiro de José Rivera segue de relativamente perto o itinerário que o romance fixou para a posteridade. Mas também leva em consideração a realidade das viagens de Kerouac e Cassady. Da mesma maneira, a oscilação entre história e ficção aparece no elenco. Sam Riley, ator britânico (com sotaque americano impecável) não se parece em nada com Kerouac, enquanto Garrett Hedlund, que incarna Moriarty, lembra Neal Cassady.


De qualquer forma, “Na Estrada”, o livro, é também a história de sua própria criação, e a posição do artista - ator e observador, contemplativo, que se vê mergulhado de repente no coração da vida – está perfeitamente ocupada por Riley, com seu olhar sonhador e sua voz rouca.

Os personagens femininos tampouco estão no lugar atribuído por Kerouac. Marylou, a menina que flutua entre Dean e Sal (ela se chamava LuAnne Henderson), não é mais um brinquedo sexual avoado. Havia muito tempo (desde que a viu atuar em “Na Natureza Selvagem”, de Sean Penn, em 2007) que Salles estava decidido a confiar o papel a Kristen Stewart, que ainda não era a Bella de “Crepúsculo”. O diretor acertou, a atriz faz de Marylou/LuAnne uma moça pronta a assumir qualquer risco, sem mostrar a inconsciência de seus parceiros masculinos. Na última ponta do triângulo, Garrett Hedlund exibe um incrível poder de sedução, que faz esquecer todos os ultrajes (ao pudor, à amizade e ao amor) que comete.

Ao longo da estrada, o trio faz encontros efémeros, com que o espectador gostaria de se deter mais tempo: Viggo Mortensen ressuscita William S. Burroughs, poeta heroinômano e assassino, que serviu de modelo para o personagem de Bull Lee, Steve Buscemi faz um caixeiro-viajante homossexual perturbador, o jovem Tom Sturridge representa Carlo Marx, segundo Allen Ginsberg, do tempo em que era tão bonito quanto Kerouac e Cassady...

O elenco impecável, o roteiro de uma inteligência que frustra as armadilhas da adaptação, não são nada sem a mão do diretor. Walter Salles está acostumado com filmes de viagem: “Central do Brasil” (1998), “Diários de Motocicleta” (2003), mas nunca tinha se aventurado tão longe do seu Brasil natal, em estradas que são propriedades particulares dos cineastas americanos.

Com o diretor de fotografia e câmera Eric Gautier, Salles filma este imenso espaço com olhos novos, que eram também os de Kerouac e Cassady. As montanhas e os desertos reencontram sua virgindade de um tempo sem publicidade omnipresente, nem postos de gasolina parecidos com supermercados. Ainda se colhe o algodão com a mão, e o Sul vive sob o regime da segregação, que esses jovens brancos caçoam simplesmente porque gostam de jazz.

A liberdade é sua única regra e, já que alguns são escritores, a recusa das barreiras se tornará o dogma das gerações seguintes. Esta liberdade tem também um preço, que todo mundo paga: as amantes, as famílias, os amigos e finalmente os heróis. Walter Salles reabriu por inteiro a estrada das origens, do encanto solar da descoberta à amargura das separações."

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Elenco em Cannes e opinião de veículos internacionais

Confira fotos dos atores em entrevistas em Cannes e a opinião dos mais importantes veículos internacionais publicado no facebook oficial do filme







Crítica do Le Nouvel Observateur

O facebook oficial do filme traduziu uma critica do Le Nouvel Observateur. Confira!

Por Pascal Mérigeau, Le Nouvel Observateur

"Dois pés, duas pernas caminhando no asfalto, filmados em plongée com pouca luz. Som de passos e da respiração de um homem. Uma voz entra. Fala tanto quanto canta palavras que parecem ter nascido da noite. Um pouco mais de duas horas depois, outra batida, de dedos no teclado de uma máquina de escrever, marca o fim da viagem, o nascimento de um livro. Entre as duas ações, páginas foram viradas?

Uma fita se desenrolou, de suor e asfalto, de poeira e sonhos, um rolo começou a se cobrir de letras, que fará de Jack Kerouac o escritor que sempre quis ser, e outra fita, esta de película, deslizou entre as garras de um projetor: não ignoro que as projeções de hoje são digitais e, se resolvi esquecer isso de propósito é porque o rolo de Walter Salles parece a continuação do rolo de Kerouac.

Continuação e não equivalente, tampouco transposição, porque “Na Estrada”, o filme, leva também em consideração os anos que passaram, as mudanças que ocorreram no mundo e nas mentalidades desde que o livro foi escrito. Da mesma forma, é melhor não esperar do filme algum revival fúnebre: Jack Kerouac, Carolyn e Neal Cassady, Allen Ginsberg e William Burroughs, e todos os outros, fazem de fato parte da história. Têm os nomes e as máscaras que o escritor escolheu para eles, mas os atores que os encarnam existem também, que sejam famosos (Kirsten Dunst, Viggo Mortensen), conhecidos ou já vistos. Existem por eles mesmos e também para seus personagens, e o filme exigiu que vivessem mais do que interpretassem seus papeis.

É assim que, ao longo dos minutos, “Na Estrada” se impõe como um hino à juventude, muito mais que como uma série de retratos em ação dos atores da geração Beat, que aparece também, mas de maneira quase subsidiária. Da mesma maneira, os personagens, e o livro ainda menos, não escolhem o rumo do filme. Apenas a estrada dita sua lei, obrigando o cineasta, seus atores e técnicos a partir mais uma vez, e o espectador a seguir atrás deles que, muitas vezes, gostaria de se deter mais um pouco com Old Bull Lee, que é William S. Burroughs, que é Viggo Mortensen, lá pelas bandas de Algiers, na Louisiana, por exemplo. Mas não é possível se juntar a eles, os outros precisam ficar para trás, mesmo quando isso dói, sobretudo quando dói, para que, da aventura nasça um livro, para que, meio século mais tarde, do livro derive um filme, cujas circunstâncias e dificuldades de filmagem, a vontade de uns e os limites dos outros arrebentaram calibragens supostamente sólidas.

É assim também que a parte de romantismo que existe em cada personagem, geralmente escondida, às vezes negada, sobretudo inconsciente, mas sempre presente, é levada em conta sem nunca contaminar o olhar dado aos personagens, a sua história, e até a sua forma de ingenuidade. É uma das razões pelas quais o filme toca tanto e de forma tão duradoura, que tenhamos tido em algum momento ou não o mesmo sonho que esses jovens, que tenhamos pego a estrada ou pensado em fazê-lo.

"De Rouille et d'Os", o filme de Jacques Audiard, outro grande destque deste Festival de Cannes 2012, abre também com um plano de pés e de pernas caminhando. Penso nas palavras que Arletty disse um século atrás ao ver, em frente à fábrica de um subúrbio de Paris, um operário que, naquela manhã, não teve força para ir trabalhar: “Sou a favor de largar tudo, na vida”.

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